sábado, 29 de agosto de 2009

IRMÃOS PARA A VIDA


De repente a porta do quarto abre-se devagar,eram duas horas da manhã e André ainda não tinha adormecido, estava à espera daquela visita desde que se deitou. Mal viu a luz vinda do corredor e a sombra da pequena Isabel, fechou os olhos, fingindo estar a dormir profundamente.

_ André?...André?...Mano estás a dormir?
_ Agora já não! O que é que queres?
Isabel entra, pé ante pé, sem fazer barulho, pés descalços e pijama cor-de-rosa às borboletas...
_ Posso dormir contigo, mano? Não estou a conseguir dormir...Acho que estou com um bocadinho de medo...
André encosta-se a um lado da cama,de modo a deixar espaço para a irmã, volta-se para o lado da janela e resmunga:
_ Tens medo de quê, tola?Pensei que não tinhas medo de nada! Vais ao médico, e pronto... que grande coisa... Até parece que é a primeira vez...

Isabel deitou-se e agarrou-se ao irmão, com as mãozitas geladas. André sentia que se alongasse mais a conversa ia voltar a deixar cair as lágrimas que estava a tentar engolir para que a irmã não sentisse que os seus medos tinham razão de ser e eram tão grandes como os dele... Não podia deixar que isso acontecesse! Tinha de ser forte e dar coragem à pequena Isabel!
Mas ela queria continuar a conversa:
_ Sabes mano, desta vez sinto-me doente. Depois a mãe diz que tenho de fazer um exame e a mãe vai-me colocar uma pomadinha para não sentir dor, mas e se a pomada não fizer efeito? Será que vou ficar no hospital? Não quero ficar lá, não conheço lá ninguém e a mãe? Achas que vai poder ficar comigo?

Não conhecia o mal que afectava a irmã, mas conseguia perceber, apesar dos seus egoístas, 14 anos, que a irmã tinha perdido o seu sorriso traquinas, a sua cor rosada tinha dado lugar a uma cor pálida e deixara de brincar e correr pela casa sem parar.
Os pais sussurravam pelos corredores, preocupados...

As respostas a tantas perguntas não tinha, apenas lhe saiu:

_ Vai tudo correr bem e tu vais ficar boa, Isabel!Não te lavo mais vez nenhuma a loiça, nem penses...
André volta-se de súbito para Isabel e sem dizer mais nada, abraçou-a como se quisesse que todo o mal que atormentava a sua mana de sete anos pudesse passar para ele!
Choraram, abraçados,em silêncio, até adormecer...

Naquela noite, Isabel percebeu que acontecesse, o que acontecesse, o seu irmão ia estar sempre ali.